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Parem o mundo que eu quero descer !

Falta pessoal qualificado em TI, diz Assespro

http://www.guj.com.br/posts/list/15/92783.java#497015

Esta discussão está boa, e no meio das chamas levei um “impacto” ao ler a frase abaixo.

louds wrote: […] Não usem a incompetência alheia como desculpa. Se está ruim e você não está ativamente combatendo isso, você é parte do problema e não da solução. […]

Esta é uma das frases que eu deveria lembrar toda vez que começo a lamentar sobre o ambiente atual de trabalho, eu tento, me gerencio, mas confesso que é difícil.

Com o diabinho no ombro, logo ouvi um suspiro … Waterfall é bom ! Não questione … volte a codificar … Só que ao olhar pro lado, vi o meu poster do Dijkstra e voltei a realidade. Foi quando me perguntei:

Por que é difícil combater o Waterfall ?!?

Sei que esta é uma pergunta sem resposta direta e que depende de muitos fatores do seu ambiente de trabalho, mas eu numa análise fria e cruel respondo: Porque a maioria não sabe o que é waterfall.

No último ano da faculdade (cursei Sistemas de Informação), e sem brincadeira, nas aulas de Engenharia fui obrigado a decorar todas as fases, papéis, artefatos e etc. do RUP, e pra fechar com chave de ouro, no segundo semestre veio o famoso Análise de Ponto de Função. Isso somente prova que já aprendemos errado, e sei que muita gente fica nisso. Se hoje tivesse a oportunidade de encontrar este mesmo professor, iria fazer a pergunta acima, e acrescentar com questionamentos como, engenharia de software não é eng. civil e neste processo todo quem está preocupado com o Retorno de Investimento do cliente !?!

Acredito que a chave para combater o Waterfall é conhecimento, temos que trazer questionamentos a quem está do lado e isso não é nada fácil, como você convence os mais de vinte desenvolvedores que estão ao seu redor que eles estão na Matrix !?! O que fazer com o pessoal que não quer sair da Matrix !?! O Waterfall é uma grande mãe que coloca muitas pessoas (Analistas, Desenvolvedores, Gerentes, Testers … etc.) numa casca irreal de proteção e que gera um ciclo vicioso que se auto sustenta.

Neste exato momento que sou obrigado a concordar com o grande malucão Raulzito:

É pena não ser burro ! Não sofria tanto.

As vezes me questiono sobre esta insistência em tentar mudar, nadar contra o Waterfall. Não seria melhor se “render” logo e entrar no jogo, sei lá, poder falar, “Caso de Uso não é comigo, só programação!” e ver que são 10 pras 18, desligar o computador e sair sem o minimo peso na consciência.

Por que numa equipe de dez desenvolvedores, só eu sinto falta de testes unitários !?! Fico indignado ao receber um caso de uso que não agrega nada ao cliente, somente foi “inventado” pra ser cobrado dele, e só eu que vejo isso !?! Sei lá, eu devo estar maluco mesmo com toda esta historia de desenvolvimento ágil, e se preocupar com ROI do cliente, apesar de achar uns malucos por ai que sofrem do mesmo “problema” que o meu.

Como no filme dos 300, tenho esperanças e sei que poucos enfrentarão muitos, e continuo minha batalha com o Waterfall.

Paz a Todos !

Obs: Sei que o RUP é mal usado, pois uma brecha dele é ser muito genérico, e isto cada vez se confirma mais, que o modelo atual “tradicional” está falido.

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4 Responses to “Parem o mundo que eu quero descer !”


  1. junho 9, 2008 às 10:27 pm

    Roger, compartilho da sua preocupação. Às vezes parece que as coisas caminham muito devagar e que ninguém está pouco se lixando para melhorar alguma coisa.

    Infelizmente, não ajuda muito procurarmos algum tipo de “iluminação” e encontrarmos apenas opiniões enviesadas, equivocadas, superficiais e ingênuas nos fóruns e blogs da vida. É muito ruído e pouca informação que preste. Fica difícil filtrar pois o bombardeio é intenso. E o que temos, na real, é um dia-a-dia maçante e enferrujado, contra o que individualmente podemos fazer muito pouco.

    Acho que ficamos mais estressados que o necessário quando começamos a achar que temos que dominar não somente a boa técnica, mas também o mercado, o gerenciamento, as finanças de projeto. Me perdoem, mas quando o desenvolvedor começa a se preocupar muito com ROI, acho esquisito. Mais ou menos como se um economista de repente se interessasse por registradores de CPU.

    Outra fonte de stress é o que você comentou sobre os colegas relaxados. Os que entram às 9 e saem às 6. Cara, isso literalmente não é problema nosso! Essas pessoas sempre vão existir, é um direito delas serem “tapadas” assim. E se um modelo de trabalho qualquer depender de pessoas perfeitas em um ambiente perfeito, não se trata de um modelo de trabalho útil, não é? Às vezes acho que querem empurrar metodologia como panacéia, óleo de cobra, sei lá.

    Nosso poder está em poder escolher onde e com quem trabalhar. Essa é a vantagem de um mercado de trabalho aquecido… dizem que está, né.

    Abraço e não perca a fé!

  2. 2 Guilherme Piccin
    junho 10, 2008 às 9:21 am

    Roger, como o Humberto disse: “Não perca a fé!”.
    Já trabalhei com pessoas que achavam que ambição era “pecado”. Já ouvi frases do tipo: “ah… eu não quero esse tipo de coisa não [ganhar dinheiro, ter vida estável e esforço reconhecido]… quero ter tempo pra levar meus filhos na escola e tal”. Ele não está nem um pouco errado, pois é a qualidade de vida que ele quer… mas isso reflete integralmente em como seu trabalho é desempenhado. Tanto faz ou tanto fez para ele. Esse tipo de gente não quer saber se o sistema será bem ou mal desenvolvido, se o caso de uso tá bem feito ou não, se foram encontrados 80% de bugs/erros na fase de teste, se existem novos paradigmas. Pra ele está bom. Acho que o mercado de trabalho está contaminado por esse tipo de mentalidade, o que dificulta as mudanças que queremos ver.
    Também existe a síndrome do funcionário público: seu trabalho se resume a carimbar papéis o dia inteiro. Ele acabou de molhar o carimbo na almofadinha e está levando seu braço ao papel.. o sinal das 18h toca! Ele sequer carimba o papel. Bota o carimbo de lado denovo, pega suas coisas e vai embora.
    Eu sei o quão complicado é mudar um ambiente desfavorável às nossas filosofias, mas não tenha medo de tomar decisões corajosas. Se está insuportável, pense que existem pessoas no mercado que compartilham dos mesmo sentimentos que você.
    Boa sorte e um grande abraço!

  3. junho 10, 2008 às 11:22 am

    @Humberto
    “E o que temos, na real, é um dia-a-dia maçante e enferrujado, contra o que individualmente podemos fazer muito pouco.”
    Você matou a pau neste frase, considero a síntese do meu post.
    Sobre o ROI, o que quis dizer e que não ficou muito claro no post é, te mandam fazer funcionalidades que não agregam nada ao produto e ao cliente e ao tentar mudar isso e questionar, você vê que ninguém está preocupado e o que querem mesmo, é a sua porcentagem em cima da venda da nova funcionalidade. Não vejo problema nenhum em ganhar dinheiro, desde que seja um ganha-ganha, e nessa parte o cliente também tem culpa de aceitar isso.

    @Guilherme Piccin
    A “síndrome do funcionário público” é realmente fantástica e me fez rir aqui … Vou até verificar quando vão abrir concurso aqui onde trabalho.

    Valeu aê pelos comentários “auto-ajuda” ! 🙂

  4. 4 Alexandre
    junho 15, 2008 às 7:16 pm

    O pior é saber que o que você diz não é só teoria, Graças a Deus eu trabalho para mim mesmo e posso usar quantos testes unitários eu quiser…. o melhor Especificações… Viva o BDD


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